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23.1.07

ESPÍRITO DE PAPEL DE EMBRULHO

Pego, me enche os olhos. Rasgo vigorosamente e jogo no chão. Mil pedaços no chão. Vassoura varre e a pá lança ao lixo. Muito lixo. Lixo indiferenciado. Cheio, abarrotado, vomitando caixas, plásticos e bolinhas eternas de isopor, laços sofisticadamente elaborados. Brilhos, cores, papel cartão, alumínio, purpurina e ilusões. Alegrias momentâneas. Orgasmos consumistas. Consumo desenfreado, alienatório, automático. Automatismo da propaganda de 30 segundos. Música, emoção e promessas. Parfum D'Ete , perfume de E.T.? Nem se pensa (que pena), uma oportunidade para rir. Rir de quê? Do paradoxo do menino na manjedoura e da mesa aburguesada de manjares. Da mensagem coca-colada de natal, que é natal para todos..vertigem. Fuga da mesmice, chatisse, vulgarisse dos dias não-natais. Que coisa mais século vinte! Velha fórmula já não funciona no mundo que se transforma em novos códigos, onde diminui a importância de terceiros e aumenta a responsabilidade individual - globalização dos indivíduos - que dá mais trabalho. Precisamos estar sempre estudando, nos informando, nos questionando, fazendo a mudança, nos associando para resolver problemas. Mas, não: há recusa, fuga. Queremos continuar mamando e sendo apenas uma película, uma casca. O antiquado descartável. Queremos continuar sendo o papel colorido, estampado, lustroso, cheio de desenhos de papais-noéis inertes, mecanicamente repetidos em série. Ho-Ho-Ho, repete incansavelmente. Só para ostentar e depois jogar fora. Ostentação..Oh TENTAÇÃO!